Triste abortamento... (Breve relato)



     Sou contra o aborto, mas hoje tive o desprazer de acompanhar o parto de uma criança de 21 pra 22 semanas de gestação. A mãe estava com a "bolsa" já rompida há um tempo, com sinais crescentes de infecção, tomando antibióticos e com risco de óbito por causa disso. Os obstetras iniciaram medicação para induzir o parto (abortamento), visto que não havia chances para o feto (pela idade gestacional) e havia risco potencial de morte para a "mãe". Ninguém sabia como nasceria o "bebê", se vivo ou morto. Apenas havia o consenso que, caso nascesse vivo, obviamente seria cuidado, entubado, medicado, levado para UTI neonatal, mas não sobreviveria muito tempo. Ela, ciente da situação, porém, em tristeza profunda, infelizmente deu à luz ao bebê vivo. Sim, eu disse "infelizmente". Com sinceridade, jamais achei que desejaria que um pobrezinho daquele não nascesse respirando. Mas então por que foi dito isso? Foi um sofrimento para o pequeno, que sequer tem capacidade de respirar, não tem órgãos totalmente formados e teve seu desenvolvimento interrompido pelo curso "natural" da vida; sofrimento para a mãe, que mesmo sabendo que não havia chances de vida, teve uma esperança cultivada dentro de si e isso apenas gerava mais dor; sofrimento para toda a equipe de médicos, enfermeiros, alunos e funcionários, que sentiram o drama, como se cada um estivesse perdendo um filho. 
     O bebê foi para a UTI e já estou há algumas horas sem informações. Não sei, caso ainda esteja vivo, quantas horas aguentará, mas a dor foi muito maior de ver o sofrimento a cada segundo daquela vidinha ainda em formação do que se ele já estivesse sido "levado ao céu para morar com os anjinhos" antes de sair do útero. Já era esperado que fosse um abortamento (embora tenha nascido vivo, tinha menos de 22 semanas e apenas 420 gramas, logo, é considerado como aborto), e mesmo que ele sobreviva (sabendo que é quase certo disso não acontecer, mas em medicina não existe a palavra "nunca" ou "sempre"), as sequelas em órgãos, principalmente na parte neurológica, podem ser graves. 
     Repito: sou contra o aborto, porém, nessa situação pedi a Deus que o levasse antes de nascer. Sim, acredito em milagres, mas isso não pode ser uma esperança alimentada inadvertidamente em nós e sim, uma dádiva de Deus que vem a alguns quando há um propósito e um bem maior. Se isso acontecer, ficarei feliz como se fosse filho meu sendo trazido de volta à vida, mas vivo como aprendi com Jesus: "Pai, seja feita a Sua vontade e não a minha". Triste pela situação, pela mãe, pela família, porém feliz em saber que a mamãe deve ficar bem. Uma vida foi salva e se a segunda será, não posso responder, mesmo com a estatística desfavorável em mãos.
     Por que fiz esse relato? Pois a criança transmitiu muita coisa a todos. Mas o que? Muita dor e sofrimento, tanto para ele, quanto para os que o acompanhavam. 
     Enfim, a vida é assim. Para salvar a mãe foi preciso interromper a gravidez, então foi feito o possível. Agora, o impossível (o bebezinho que cabe na palma da mão), fica nas mãos de Deus.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

DESABAFO: Somos impotentes e arrogantes

 

     Amo a medicina, mas não posso deixar de ter muitas indignações com o pensamento dominante no meio médico. Um deles é o argumento que a maior prova de que muitas das novas técnicas diagnósticas e terapias são maravilhosas é que a expectativa de vida está aumentando. Porém parecem não enxergar que o idoso de hoje é a criança de DÉCADAS ATRÁS, que não era submetida a nenhum procedimento ou medicamento moderno. Se formos imediatistas, achando que a vida é reflexo apenas do presente, esse argumento até é válido. Porém, se formos realistas e considerarmos que a saúde do adulto é determinada por um processo complexo, que vai muito além do ambiente ou de sua genética e que as intervenções médicas na criança terão reflexos na vida adulta dela, ficaremos pelo menos "em cima do muro" e deixaremos para concluir se as intervenções atuais foram corretas ou não apenas daqui há uns 50 anos. No máximo, podemos dizer que muitos tratamentos que realizamos eliminam os sintomas e a fase aguda da doença. Entretanto, se isso representa cura, só o tempo dirá.
    Tenho evidências para acreditar que pouco curamos e que apenas aliviamos um problema momentâneo. Uma delas é a nossa dificuldade em lidar com doenças crônicas. A resposta médica geralmente é sempre a mesma: "não tem cura", "terá que tomar este medicamento durante toda a vida", "esta quimioterapia provocará regressão ou até eliminar o tumor, mas poderá lhe causar uma grave insuficiência cardíaca ou ainda induzir o aparecimento de um novo tumor". Mas como o homem moderno é imediatista, geralmente é apenas esse alívio momentâneo o que ele procura, mesmo que traga problemas futuros.
     Enfim, penso que deveríamos todos aceitar os nossos limites e enxergar que o conhecimento médico é "nada" perante a complexidade do organismo humano. Mas enquanto tivermos a arrogância de achar que dominamos o processo de Saúde/doença e que somos (alopatia) a visão suprema da medicina, estaremos amarrados, com um cabresto, vendo diariamente milhares de pessoas padecendo de problemas incuráveis e a nossa opinião continuará a mesma (e ridícula): "somos uma medicina evoluída, estamos no caminho certo, não precisamos rever nada e quem discorda das nossas ações é charlatão ou no máximo um defensor de uma medicina 'alternativa'".
     Não estou aqui combatendo a alopatia e sim, criticando a visão exclusivista que a maioria de seus seguidores possuem, pois achamos que o nosso umbigo é o centro do universo e olhamos com menosprezo para tudo o que por desconhecimento não aceitamos (desculpem-me pela generalização). Quem de nós, médicos ou estudantes de medicina, aceitaria alguém dizer que nós é que somos uma medicina alternativa ou complementar? Minha experiência de convivência me diz que 1 em cada mil estudantes aceitariam tal afirmação sem se revoltar.
     A visão moderna da sociedade mostra que Paracelsus estava errado, pois atualmente, não vale mais a expressão "Quem cura tem razão". Atualmente, tem razão quem segue os protocolos determinados pela visão hegemônica, que parte de premissas que tornam praticamente indefensáveis quaisquer outras visões. Acredito que o primeiro passo para que alcancemos uma maior eficiência é cada racionalidade médica reconhecer seus pontos fortes e suas deficiências, cada uma atuando quando for pertinente, a fim de que o bem estar do paciente seja o único alvo. Mas para isso precisamos perder o que mais combatemos, que é o "PRECONCEITO" e a "ARROGÂNCIA", sendo que o meio mais eficaz para que isso aconteça é apenas criticar ou rejeitar aquilo que realmente conhecemos a fundo (assim teremos argumentos e não seremos meros "papagaios", repetidores de opiniões de terceiros). Não podemos agir com ignorância, como advogados discutindo microeconomia. Dificilmente sairá algo produtivo de uma discussão, se os envolvidos não tiverem profundo conhecimento sobre o assunto debatido.

Por: Wésley de Sousa Câmara

A formação de um novo ser

   Você sabe como são formados os bebês ou quanto tempo leva para que surjam as principais estruturas desse “homenzinho” em formação? Vamos aprender de forma didática e resumida (o objetivo deste artigo não é dar uma aula de embriologia) todo o processo de origem de uma nova vida humana. Vale dizer que uma gestação normal tem de 37 a 42 semanas (contadas a partir da última menstruação). Se o bebê nasce antes desse tempo é chamado “pré-termo” (ou prematuro) e após, “pós-termo”.
   Tudo começa com a relação sexual do casal, mais precisamente quando o homem ejacula na vagina da mulher. No esperma (líquido esbranquiçado, composto principalmente por secreções da próstata, das vesículas seminais e por espermatozoides), também chamado de sêmen, há proteínas que coagulam logo após a ejaculação, tornando-o mais pegajoso e dificultando que os espermatozoides (células sexuais masculinas) retornem para a entrada da vagina. Soma-se a isso a presença de prostaglandinas nesta secreção, que são substâncias que promovem a contração uterina, auxiliando no processo de entrada desses espermatozoides para o útero e para as tubas uterinas. Caso a mulher esteja no período fértil, ou seja, seus ovários tenham liberado pelo menos um óvulo há pouco tempo, poderá ocorrer em uma das tubas o encontro de alguns espermatozoides com esse óvulo. Ocorre então a “fusão” de ambos (chamada “fecundação”) e a célula resultante migra de volta para o útero, enquanto vai se dividindo em um aglomerado de células. Por volta do 7º dia após a fecundação, esse aglomerado de células começa a invadir a parede uterina (endométrio). No final da 1ª semana, o “ovo” está superficialmente implantado no útero.

2ª semana de gestação:
   A implantação na parede do útero está concluída e um pouco mais aprofundada. Inicia a nutrição deste “ovo” pela mãe, mas não ainda por vasos sanguíneos (nesta fase é por glândulas uterinas).

3ª semana de gestação:
   É a época em que deveria ocorrer a menstruação da mulher (que não chega). Essa falta de sangramento menstrual é geralmente o primeiro sinal de gravidez. Quando ocorrem sangramentos, normalmente são pequenos e derivados da lesão uterina causada pela implantação do “embrião”. Ocorre o início da formação do sistema cardiovascular, com o surgimento de um coração primitivo e de uma circulação quase sem importância para a nutrição do novo ser.

4ª à 8ª semana de gestação:
   Nesse período são formados os principais órgão do corpo. O “embrião”, que era achatado, torna-se cilíndrico, em forma de “C”, na 4ª semana. Inicia-se a formação do intestino primitivo e surge o cordão umbilical. O embrião começa a tomar forma humana na medida em que vão se formando cérebro, membros, orelhas, nariz e olhos.
   Na 6ª semana começam a aparecer os dedos (ainda unidos) e as orelhas; os olhos se tornam evidentes; surgem os primeiros reflexos do embrião ao toque.
   Na 7ª semana os membros se desenvolvem, com início da ossificação nos braços. Ao final desta semana quase todos os principais sistemas (digestivo, cardiovascular), já estão formados.
   Na 8ª semana aparecem os primeiros movimentos voluntários dos membros; deixa de ser visível a “cauda” do embrião, que até então era vista (sim, quando surgimos tivemos uma “mini-cauda”).
   Esse período (4ª à 8ª semana) é tido como a fase crítica do desenvolvimento, pois é geralmente nele que surgem as má formações congênitas, quando há exposição a agentes nocivos (cigarro, álcool, alguns medicamentos...). 

Imagem ilustrando a formação e o tamanho proporcional do embrião nos 2 primeiros meses de gestação.
 
9ª semana ao nascimento (período fetal):
   Nesse período, o futuro bebê é menos susceptível a agentes teratogênicos (causadores de má-formações), pois quase todos os órgãos já estão formados e carecem apenas de maturação. Porém, ainda é possível a ocorrência de alguns danos, principalmente

Tomar água na hora correta maximiza a efetividade do organismo

MENTIRA!
   Há algum tempo surgiu mais uma corrente de internet (inicialmente em inglês, depois traduzida para o português), muito divulgada em redes sociais, e sugeriram que eu falasse sobre o assunto. Veja a imagem abaixo (o “X” e a palavra “mito” foram colocados pelo blog Saúde a Fundo). Vamos analisar cada afirmação:


"Cerca de 90% dos ataques de coração ocorre de manhã cedo..."
- Realmente a maior parte dos “ataques do coração” (nome popular para problemas cardíacos, principalmente o infarto do miocárdio) ocorre de manhã. E digo mais: é ainda mais comum nas segundas feiras, provavelmente devido à mudança de ritmo na rotina da maioria das pessoas, o que gera um estresse extra. Durante o sono, o metabolismo do indivíduo está em um ritmo mais lento. Quando se aproxima a hora de acordar e logo após levantar-se, o corpo aumenta muito o seu metabolismo e caso a pessoa esteja com o sistema cardiovascular seriamente comprometido, pode não suportar. Sendo assim, o horário mais comum de ocorrência desses eventos é por volta das 9 horas (o que não significa que não ocorram em qualquer outro horário).

"Bebendo água na hora correta, maximizas a sua efetividade no corpo humano"
- O momento em que tomamos água também pode ter diferentes efeitos. Precisamos tomar boa quantidade de água diariamente, mas isso deve ser de forma fracionada durante o dia. Por exemplo: não é bom ficar o dia todo sem ingerir água e em dado momento tomar 1 ou 2 litros de uma vez. Isso poderá fazer muito mal à saúde! Porém, as afirmações feitas por essa corrente não possuem respaldo científico.

"1 copo de água depois de acordar - ajuda a ativar os órgãos internos"
- Não há necessidade de água propriamente dita para ativar os órgãos internos pela manhã. Quando acordamos o nosso organismo já tem sua atividade aumentada. Necessitamos sim realizar o desjejum, tomando um café da manhã que inclua líquidos (suco ou leite) e sólidos (como pão, biscoito e/ou frutas). Essa refeição é importantíssima como fonte de nutrientes para nossa dieta. Os alimentos ingeridos serão os “ativadores” (se é que essa palavra é necessária) do sistema digestivo e fornecerão energia para o trabalho de todos os demais órgãos.

"1 copo de água 30 minutos antes de uma refeição - ajuda a digestão"
- A água meia hora antes da alimentação, se a pessoa está hidratada, não tem muita interferência na digestão. Embora a saliva, as enzimas digestivas e o suco gástrico necessitem de água para serem produzidos, apenas teriam sua produção prejudicada em condições de má hidratação. O pequeno efeito que essa ingestão específica tem é uma diluição do suco gástrico e a ocupação de um certo volume, por alguns minutos, no estômago, fazendo com que alcancemos a saciedade com menor quantidade de alimento. A diluição pode fazer com que alguns alimentos, principalmente os ricos em proteína (como carnes), tenham maior dificuldade em sua digestão. Porém, 30 minutos geralmente é suficiente para que essa água não mais esteja no estômago.

"1 copo de água antes de tomar um banho - ajuda a baixar a pressão sanguínea"
- Tomar água não diminui a pressão arterial (alguns acreditam, equivocadamente, que o corpo eliminará mais sódio e consequentemente cairá a pressão arterial). Em alguns casos (como em alguns problemas renais, cardiovasculares ou hormonais) pode até aumentar essa pressão. Em algumas doenças específicas há ainda a indicação de restrição hídrica, ou seja, uma quantidade mínima de água pode ser ingerida pelo indivíduo. Quanto ao tomar antes do banho, parece-me apenas mais uma “simpatia”, como colocar linha molhada na testa para acabar com soluço. Portanto, o aconselhamento feito por essa corrente pode fazer com que pessoas troquem seus medicamentos por água, o que é no mínimo irresponsável (e perigoso).

"1 copo de água antes de ir para a cama - evita um derrame cerebral ou ataque de coração"
- De forma geral, pode-se dizer que não há nenhum mal em ingerir água antes de dormir, porém também não há nenhuma indicação. Sendo mais específico, não encontrei até o momento (20/08/2012) nenhuma

Panela boa, comida saudável!

Imagem retirada de: http://revistavivasaude.uol.com.br/Edicoes/27/artigo22365-1.asp
   Muitos pensam que uma boa saúde começa com uma boa alimentação, mas a verdade é que o início vem ainda antes: no utensílio de preparo dos alimentos.  Será que existe uma panela que é melhor para a saúde? Ou uma que faz mal? Vamos falar um pouco neste texto sobre os diversos tipos de panelas usadas atualmente e derrubar alguns mitos.

Cerâmica e barro
   Só use esse tipo de panela caso tenha um selo garantindo que não são usados compostos à base de metais pesados (chumbo, cádmio e mercúrio) em sua produção. As panelas antigas (com mais de 20 anos) desses materiais normalmente possuem esses compostos. Esses metais podem causar intoxicação grave, afetando o sistema respiratório, ósseo, circulatório, digestório e nervoso. Os efeitos são mais graves nas crianças, mas adultos também podem ter problemas, como anemias. Um problema que dificulta a identificação da causa dessas intoxicações é que pode levar 1 ano, após o início do uso dessas panelas, para manifestarem os primeiros sintomas nas crianças e até 4 anos em adultos. Caso use esse tipo de utensílio, dê preferência para os de barro ou de cerâmicas ofuscadas (não vitrificadas).
   As panelas de barro devem ser muito bem lavadas (com esponja e detergente), pois podem ficar resíduos em seus poros e ocorrer proliferação de fungos e de bactérias. A vantagem é que o cozimento nela ocorre de forma lenta, deixando os alimentos, muitas vezes, com gosto mais agradável. Cozinheiros recomendam esse tipo de panela para o preparo de peixes e frutos do mar.

Ferro
   Cozinheiros recomendam esse tipo de panela para preparar arroz, feijão, refogados, grelhados e ensopados, pois mantém o calor constante e uma temperatura um pouco mais alta. Os médicos recomendam para pessoas que sofrem com deficiência de ferro (anemia ferropriva), para mulheres em idade reprodutiva (que precisam de maior quantidade desse mineral), para crianças e para vegetarianos, já que o uso exclusivo dessas panelas pode fornecer até 20% da ingestão diária recomendada de ferro. É contraindicado para indivíduos com deficiência no metabolismo do ferro ou com níveis excessivos do mesmo no organismo, porém são problemas raros.
   Uma dica de conservação é: após lavar a panela com esponja e detergente, seque-a no fogo. Se quiser, passe uma leve camada de óleo (untar) antes de guardar. Assim, estará protegida de ferrugem.
PRÓS: Fonte de ferro extra (diminui risco de anemia ferropriva); por manter a temperatura mais elevada, economiza gás.
CONTRAS: Não utilizar para frituras, pois acelera a deterioração do óleo; não guardar alimentos em panelas de ferro, pois o mineral continua sendo transferido ao alimento, podendo alcançar níveis muito elevados.

Pedra sabão
Cozinheiros recomendam esse tipo de panela principalmente para o preparo de ensopados e caldos. Para lavar, use apenas esponja e detergente. Evite choques térmicos (como despejar alimentos frios na panela quente, ou vice versa) para não danificá-la.
PRÓS: Também elimina íons de ferro (além de magnésio, cálcio e manganês) na comida; retêm muito calor e segundo alguns, deixa os alimentos com sabor de “comida caseira”; tem característica antiaderente; tem alta durabilidade.
CONTRAS: O sabor de alguns alimentos fica impregnado na parede, então é bom ter uma exclusiva para o arroz, outra para o feijão e outra para ensopados; não é recomendada para frituras (principalmente quando é nova).

Politetrafluoretileno (“Teflon®”)
   Esse tipo de panela antiaderente surgiu na década de 1960 e constantemente é condenada por alguns estudiosos, que acusam essa substância de ser prejudicial à saúde. Embora o efeito cancerígeno em humanos (no uso em panelas) não tenha sido comprovado, alguns cuidados devem ser tomados, para evitar que o revestimento à base de flúor se desprenda. Se notar que a camada de politetrafluoretileno (preta) está se soltando, troque a panela e não a use mais para preparar alimentos.
   Uma dica para tirar manchas: passar pó de café com um papel absorvente.
PRÓS: Os alimentos não grudam na panela; sua limpeza é muito fácil; pode-se usar menor quantidade de óleo no preparo dos alimentos; o revestimento interno impede a passagem do material da panela (como o alumínio) para a comida.
CONTRAS: Esse tipo de panela ou

Refrigerantes aumentam estrias e "celulite"


MENTIRA!
   Primeiramente quero deixar claro que estou usando o termo "celulite" para me referir ao aspecto ondulado (em casca de laranja) da pele, pois já foi popularizado. Um nome mais adequado seria "Fibro Edema Gelóide", devido as alterações que ocorrem no tecido subcutâneo, mas este assunto será discutido em outro artigo. Já as estrias decorrem da degeneração das fibras elásticas da pele.
   Mas, de forma objetiva, não há nenhuma comprovação científica de que os refrigerantes ou as bebidas gasosas aumentem ou causem celulite e estrias. Esses problemas surgem e se agravam com a associação de vários fatores já conhecidos, como: predisposição genética (pode ser hereditária), ganho de peso, retenção de líquido (edema), alterações hormonais (puberdade, menopausa, variações hormonais durante o ciclo menstrual, má drenagem do sistema linfático, métodos anticoncepcionais hormonais), entre outros.
   Como sabemos, o ganho de peso é um fator que piora o aspecto da celulite e boa parte das pessoas que "engordam" tem uma vida sedentária e uma má alimentação (que inclui muito refrigerante). Logo, quem consome muito dessas bebidas quase sempre também ingere muita gordura e muito açúcar, que aumentam muito a chance de ganho de peso. Sendo assim, as pessoas acabam associando erroneamente o refrigerante ao problema.
   Falaremos com mais detalhes sobre o assunto (causas, tratamentos e mitos) em outra postagem.

Autor: Wésley de Sousa Câmara

Por que sentimos sede após as refeições?


   Provavelmente você já percebeu que após a alimentação, principalmente quando é salgada, surge aquela sede que pode persistir por horas, necessitando a todo o momento de tomar algum líquido. Se essa refeição for pouco antes de dormir, muitas vezes o sono é interrompido por uma sede imensa. Se já aconteceu isso com você, fique tranquilo! É sinal que seu organismo está respondendo bem a uma "condição adversa".
   O que acontece é o seguinte:
   Quando ingerimos muito açúcar ou uma refeição salgada, uma grande quantidade de glicose ou de sódio (que é a base do sal de cozinha, entre outras coisas) será absorvida pelo nosso intestino e chegará à nossa corrente sanguínea. O sangue ficará com uma alta concentração dessas substâncias e se o corpo não reagir de alguma forma, boa parte da água que existe em nós será "atraída" para o sangue (pois há uma tendência natural da água caminhar de um meio menos concentrado para outro que está mais concentrado, na tentativa de equilibrar os dois locais. Esse processo chama-se osmose). Embora esse equilíbrio seja necessário para a vida, se isso acontecesse, nossas células perderiam tanta água que entraríamos em um estado de grande desidratação. Porém, nosso corpo é incrível e sabe perfeitamente como resolver o problema:
- Quando essas substâncias (sendo o sódio a principal) chegam ao sangue, uma estrutura situada próximo ao cérebro (chamada hipotálamo) é estimulada e produz o Hormônio Antidiurético, que, como o nome diz, diminui o volume de urina, por fazer os rins reterem maior quantidade de água, que voltará para o sangue, na tentativa de "diluir esse excesso de sódio". Porém essa retenção geralmente não é suficiente e aí que vem o principal mecanismo de controle: a sede!
- O sódio em excesso no sangue promove também a estimulação de outra região do hipotálamo, que é chamado de "centro da sede". Esse local, quando estimulado, manda uma mensagem para o cérebro (que é o responsável por nossas ações conscientes), dizendo que precisamos ingerir água para equilibrar a concentração dessas substâncias no sangue. E assim surge a vontade de tomar água, que persistirá até que essa concentração seja equilibrada.
   Quando o líquido que tomamos (principalmente gelado) passa pela faringe ("garganta"), uma mensagem é enviada ao cérebro, cessando em poucos segundos a sede. Essa "satisfação" não dura mais do que meia hora, caso a quantidade ingerida tenha sido insuficiente e teremos novamente sede. E assim vai, até que nossos rins eliminem o excesso de sódio e tudo volte ao normal.

Autor: Wésley de Sousa Câmara

Mosquitos da dengue




Por que grávidas urinam com tanta frequência?

     Grávidas urinam a todo momento. Esse é um fato que acontece com todas as gestantes e a maioria delas não sabe o porque disso acontecer. Para entender, temos que conhecer a anatomia básica da pelve e do abdome da mulher grávida. Na figura abaixo, veja que a bexiga urinária está marcada com uma seta vermelha.

     Conforme o feto cresce no útero, sobra cada vez menos espaço para que essa bexiga possa se encher de urina.O útero gravídigo a comprime para baixo, diminuindo sua capacidade de enchimento. A bexiga, quando cheia, desencadeia um reflexo de micção, que é aquele "desejo" que todos sentem de ir ao banheiro. Porém, nas gestantes, esse reflexo surge com um volume bem menor de urina. Esse é o motivo delas urinarem toda hora e em pequena quantidade!


Autor: Wésley de Sousa Câmara

Câimbras em gestantes: normal?

     Boa parte das gestantes relatam problemas com câimbras (contrações musculares involuntárias e dolorosas), principalmente na segunda metade da gravidez. São várias as causas desses problemas:
1 – Com o crescimento do feto, a futura mãe tem que suportar um “peso” bem maior durante todo o dia. Com isso, a circulação nos membros inferiores pode não ser adequada, principalmente se ficar muito tempo em pé ou se não tiver uma boa postura corporal. A consequência aparece principalmente à noite: as câimbras nos dedos do pé, nas panturrilhas, nas coxas ou na virilha.
2 – O “bebê” em crescimento consome muitos sais minerais, podendo causar uma carência, principalmente de cálcio, de potássio e de magnésio, para o corpo da mãe, o que leva a essas câimbras.
3 – Com o aumento do peso do corpo da mulher, haverá necessidade de um esforço muito maior por parte dela para que consiga executar as tarefas que sempre realizou. Assim, há uma maior fadiga muscular, que pode culminar em câimbras.

O que fazer para evitá-las?
     É importante que a gestante tome alguns cuidados e/ou medidas preventivas:
- Ter uma alimentação balanceada, com um consumo adequado de cálcio (leite e derivados), de potássio (banana), de magnésio (amêndoas, nozes, leite e cereais), de vitamina B6 (batata, banana, abacate e peito de frango) e de vitamina C (morango, mamão, laranja, goiaba...). Converse com seu médico sobre a necessidade ou não de tomar um suplemento alimentar, rico em vitaminas e sais minerais.

- Manter sempre uma postura correta, seja sentada, deitada ou em pé.
- Usar meias elásticas
- Evitar refrigerantes e o uso de salto alto
- Não ficar muito tempo em pé e fazer atividades físicas regulares (não intensas)
- Elevar os pés sempre que possível. De preferência, coloque algo sob os pés, para mantê-los ligeiramente elevados durante a noite
- Fazer massagens e alongamentos nas regiões citadas antes de dormir
- Não fumar
- Não usar roupa, sapato ou cinto apertados

Já estou com câimbras, e agora?
      Se for nos dedos, flexione-os, segurando-os nessa posição por alguns segundos; na panturrilha, quando começar a câimbra, fique em pé, soltando o peso sobre as pernas. Outra medida é esticar a perna e puxar os dedos do pé em direção ao joelho; nas coxas, deite e peça para alguém esticar suas pernas para cima e segurar alguns segundos, para alongar os músculos do local; na virilha, faça a abdução da perna (esticá-la para o lado, afastando uma da outra).
     Caso as dores sejam muito intensas e não desapareçam, procure um médico com urgência, pois há possibilidade de inflamações nos vasos sanguíneos, entre outros problemas.

Autor: Wésley de Sousa Câmara